> ## Content Index
> Fetch the complete content index at: https://decantar.alexandredesalles.com.br/llms.txt
> Use this file to discover other available public pages before exploring further.

# Decantando Ideias #13: Cegueira por métricas
- URL: https://decantar.alexandredesalles.com.br/decantando-ideias-13-cegueira-por/
- Published: 2025-06-26T21:00:44.000Z
- Updated: 2026-07-04T21:48:08.000Z
- Description: Quando KPIs escondem a realidade
- Author: Alexandre de Salles
- Tags: Newsletter, #Migrated-1782938865869, #Import 2026-07-01 17:48, Decantando Ideias

![audio-thumbnail](https://img.transistorcdn.com/8NE507vrg0A4Y2bnHosMSoTrDHqLWZK-NrNjJJrGlRY/rs:fill:0:0:1/w:1400/h:1400/q:60/mb:500000/aHR0cHM6Ly9pbWct/dXBsb2FkLXByb2R1/Y3Rpb24udHJhbnNp/c3Rvci5mbS84YzIz/NDhiOTQwNTNjNGMz/MTdlMGZkNjQxZmY2/NjliZC5wbmc.jpg)

Decantando Ideias Podcast #13: Cegueira por métricas

0:00

/433

1×

*Sirva-se de uma taça e permita-se alguns minutos de introspecção. Porque nem todo número ilumina — e nem toda meta guia. Como no vinho, onde nem sempre o brilho na taça antecipa a profundidade no paladar, a gestão moderna também corre o risco de se encantar com o superficial. Hoje, decantamos uma questão delicada: o que acontece quando o excesso de métricas embota a visão estratégica?*

## **O vício do visível**

Vivemos uma era de hiperquantificação. Tudo se mede. Tudo se compara. Tudo se transforma em painel.

[Inscreva-se](#/portal/signup)

De um lado, dashboards elegantemente atualizados em tempo real. Do outro, decisões automatizadas, relatórios sobre relatórios e reuniões onde o PowerPoint virou oráculo. De repente, a gestão passou a olhar mais para os indicadores do que para o que eles representam.

É como descrever um vinho exclusivamente pela sua análise química: teor alcoólico, acidez total, IPT, índice de polifenóis. Uma ficha impecável — mas nenhuma pista sobre o impacto que ele tem quando toca o céu da boca.

O número virou fetiche. Mas gestão não é só matemática — é leitura simbólica, conexão humana e, sobretudo, escolha com consciência.

## **Quando medir vira uma forma de não sentir**

Métricas são fundamentais — mas perigosas quando absolutizadas. Elas oferecem conforto, mas também distanciamento. Nos permitem *gestionar sem encostar*. São mapas que nos poupam do campo.

E aqui reside a armadilha: ao nos dar a impressão de controle, as métricas podem nos afastar do real.

Veja o caso da *WeWork*. Durante anos, seus indicadores de crescimento pareciam sólidos: expansão acelerada, ocupação crescente, valuation em alta. Mas o modelo era frágil. O glamour da escala ofuscava a falta de consistência no core business. Os KPIs estavam “batendo”. O negócio, não.

Ou pense nas metas de produtividade em centros logísticos, onde bater o número pode significar ignorar pausas básicas para descanso. O indicador sinaliza eficiência. Mas o que está fora do quadro? Saúde, dignidade, sustentabilidade da operação.

É como se estivéssemos tentando medir o aroma de um vinho com uma régua — e, claro, nos convencendo de que estamos fazendo um bom trabalho.

## **A cegueira seletiva da alta performance**

O mais perigoso não é o que se mede. É o que se deixa de medir. E mais ainda: é o que se recusa a perceber.

• Medimos o NPS, mas evitamos as conversas difíceis com clientes que desistiram antes de responder a pesquisa.  
• Medimos o número de entregas por sprint, mas não a qualidade da interação entre times.  
• Medimos o churn, mas ignoramos as frustrações silenciosas que antecedem cada cancelamento.  
• Medimos o lucro, mas esquecemos de perguntar: *a que custo humano, ambiental ou cultural ele veio?*

A cultura da métrica nos leva a correr onde há trilha — mesmo que não leve a lugar algum. Afinal, onde conseguimos medir, conseguimos mostrar. E o que não mostramos... simplesmente some.

## **O perigo do indicador que vira identidade**

Há outro fenômeno preocupante: quando o KPI deixa de ser apenas ferramenta e passa a ser identidade organizacional. Empresas que vivem “para bater meta”, não para gerar valor. Pessoas que se definem por OKRs, não por propósito. Times que medem tudo — menos o que os conecta.

Lideranças assim confundem direção com resultado. Acham que crescer é escalar métrica, não expandir relevância.

É como uma vinícola que decide aumentar a produção anual a qualquer custo — mesmo que isso comprometa o terroir, a história, o sabor único que a tornava memorável. Os números crescem. A essência, evapora.

## **A gestão que precisa reaprender a escutar**

Talvez estejamos precisando de menos métrica e mais sensibilidade. Menos painel e mais escuta. Menos PowerPoint e mais presença.

A boa liderança sabe que há verdades que não cabem em planilhas. Que decisões não são apenas baseadas em dados, mas também em dilemas, intuições, desconfortos. Que nem tudo que importa é mensurável — e nem tudo que é mensurável importa.

Isso não é uma crítica à análise de dados. É uma crítica ao uso dogmático dos dados, que empobrece a gestão. Porque indicadores são bússolas — não destino.

## **Decantar é ir além do rótulo**

Como no vinho, onde a complexidade real só se revela após algum tempo de decantação, nas empresas também é preciso deixar as questões respirarem antes de agir. Há aspectos que o gráfico jamais captará. Há dilemas que não serão resolvidos com OKRs.

Empresas que ousam decantar suas decisões observam o contexto com mais clareza. Olham para os dados e perguntam: *o que eles não estão me dizendo?* Escutam o cliente para além do formulário. Percebem os silêncios da equipe. Intuem o que está por vir — mesmo sem sinal nos números.

A gestão que decanta não se satisfaz com o óbvio. Ela busca o que está no fundo da garrafa, nas camadas invisíveis, no que exige atenção e tempo para ser percebido.

---

**Então, enquanto sua taça descansa, uma pergunta incômoda: sua empresa está gerando clareza ou apenas produzindo gráficos bonitos? Você está medindo o que é importante — ou apenas o que é fácil de medir?**

Um brinde às lideranças que enxergam além do painel.

**Alexandre de Salles**  
👁️‍🗨️ Quer continuar decantando ideias comigo?  
Assine a newsletter no Decantar:

[Alexandre de SallesSou Alexandre de Salles, CEO da (AS) Consultoria. Transformamos negócios em organizações resilientes e sustentáveis. Compartilho reflexões estratégicas sobre gestão e liderança, inspirando decisões com impacto positivo e visão de longo prazo.](https://decantar.alexandredesalles.com.br/)